quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Perda

Muita coisa aconteceu desde que escrevi o último post. Precisaria de muito tempo e um texto enorme pra contar.

Mas um vale a ressalva de parar e colocar umas letras.

Tenho um tio chamado Angelo Cezar. Um cara figuraça, 40 anos. Nos últimos anos ele veio brigando com uma séria de complicações na saúde que o deixaram cada vez mais perto da morte. Porém, muito destemido, nunca se importou muito com as coisas. Sempre foi desencanado, desregrado (não é uma crítica) e ele teve um mal que carregou desde os 18 anos: a morte do pai. Meu avô era filho de italianos, um homem honrado e bastante correto que infelizmente não tive o prazer de conhecer. Só sei das histórias que minha mãe conta e algumas que minha avó Belinha conta de vez em quando. Quando meu avô morreu, meu tio ainda com 18 anos e já não bem desenvolvido intelectualmente, não soube digerir ou entender isso com clareza. Carregou um espinho que mais parecia uma pedra no seu coração. Isso com certeza atrapalhou seu crescimento e acabou por acontecer incontáveis e sucessíveis problemas de ordem familiar, social, profissional e de conduta.
Os problemas com o álcool o deixaram debilitado e como já se esperava, foi internado com pancreatite aguda. Mas isso não foi o responsável pela sua agonia. No meio do tratamento, talvez até por diagnósticos errados dos médicos (que se orientavam somente por saber que ele tinha problemas com o álcool), fomos surpreendidos com um rompimento no intestino o que o deixou muitos dias a exposição da infecção que este órgão pode espalhar pelo corpo. Isso foi descoberto porque os médicos o foram operar achando que tinha estourado sua úlcera. Ao seguir no procedimento, viram que o caso era grave.
Na segunda-feira (02/02/09), após 15 dias em coma induzido, nos deixou para um descanso eterno.

Muita gente o via como alguém cheio de problemas, que causou problemas. Eu o via (e nossa convivência foi prova disso) como uma pessoa especial, que precisava de atenção e cuidados. Meu pai declarou inúmeras vezes "é meu filho mais velho", pois percebeu esta carência.

Após muitas orações e petições para que DEUS tivesse misericórdia de sua vida (e teve!), deixo registrado aqui minha breve saudade e uma vasta lembrança de grandes momentos e a falta que vai fazer no nosso meio.

Minha homenagem ao meu "irmão mais velho" ANGELO CEZAR SELIM.


Marcio Pedro

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